As vezes sinto saudade de mim, mas hoje acordei com saudade de você. Acordei sorrindo lembrando do seu sorriso, das danças bobas que fizemos na areia da praia, dos poemas roubados que te mandei, das loucuras não planejadas, simplesmente vividas. Lembrei da vida simples, mas rica em sonhos. Lembrei das horas seguidas ouvindo canções em que nos imaginávamos vivendo ao que era descrito poeticamente: “quando fevereiro chegar, saudade já não mata a gente...”.
Fui invadido por uma retrotopia,
mesmo sabendo que ontem não volta jamais e que o paraíso não está no passado, e
ainda assim desejei quando a estrela caiu, encontrar com você, nós dois como
éramos e não como somos. Desejaria ter encontrado nós dois como planejamos que seríamos. Cantarolei "pela minha lei a gente era obrigado a
ser feliz ...".
Não, saudade aqui não é mera lembrança,
descrita pelo poeta, como expressão de felicidade já vivida. Mas também não é saudade
como desejo de rever, que é mero sofrimento. É a descrição de uma experiência
vivida que me invade vividamente de forma arrebatadora e neste déjà vu-profético, “lembrei
de você, linda e nua em meus braços, quase que chamei você, mas olhei pra mim
mesmo. E parei os meus passos, de tanta saudade percebi que um homem também sabe
chorar”.
De repente me vi no meio da feira livre ouvindo o menestrel que declamava: “De saudade ninguém morre, sem saudade ninguém vive, eu já tive até saudade da saudade que não tive”, e assim, sentindo cheiro do café, seria ele que teria despertado tudo isso? Sorri e cantei: “Sei que ai dentro ainda mora um pedacinho de mim, um grande amor não se acaba assim, feito espumas ao vento. Não é coisa de momento, raiva passageira, mania que dá e passa feito brincadeira ...”. E de repente me dei conta que o “pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa, quando começa a pensar?" Me resignei ... e continuei a vida na certeza de que "... meus começos, só vêm se eu aceitar o fim, e as flores que voaram dos meus sonhos, vão crescer noutro jardim". Ah! como a vida é boa ...
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