segunda-feira, 27 de abril de 2026

ORAÇÃO SEM PALAVRAS

As vezes orar é gritar, derramando lágrimas. É o grito da alma oprimida por situações que estão

acima de quaisquer possibilidades de solução. É o desespero humano clamando para que todos

ouçam e saibam da sua dependência absoluta daquele a quem ora.

Às vezes orar é se fazer ouvir, em gestos e palavras. Numa encenação cujo objetivo é ensinar e

fazer com que os ouvintes compreendam que a glória é de Deus e que a resposta não é fruto do

acaso, coincidência e nem manipulação mágica, mas ação direta de Deus às nossas necessidades,

como o fez Jesus quando orou pela restauração de Lázaro.

Às vezes orar é se assemelhar à Ana: derramar o coração por meio de palavras – inaudíveis, mas

que adentram a sala do grande trono branco. Quem nos vê percebe a grande aflição, mas jamais

compreenderá completamente o que fazemos.

Às vezes orar é se “trancar” no quarto secreto e à semelhança da Sunamita, nada declarar a qualquer

pessoa, senão única e exclusivamente àquele que pode efetivamente mudar a situação ou mudar o

nosso próprio coração para enfrentar a dor mais cruel sem perder a doçura e a esperança.

Às vezes orar é somente descansar “à sombra do Onipotente”. Isso faz lembrar de um diálogo:

– O que a senhora fala para Deus quando ora?

– Nada, eu só escuto.

– E o que Deus fala para a senhora?

– Nada, Ele só escuta.

A beleza de orar não está quando a resposta vem. O extraordinário da oração ocorre enquanto se

ora, quando se depõe todas as armas, quando se embainha a espada e quando se rende ao Senhor,

Aquele que ama, Aquele a quem todas as coisas e pessoas estão submissas, Aquele que envolto em

mistério habita os céus, mas que ao mesmo tempo é o “Pai nosso”. E que não precisa de palavras,

pois antes que as pronunciemos já sabe o que precisamos.

Senhor, que haja PAZ, a começar por mim ...

Roberto Amorim

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