As vezes orar é gritar, derramando lágrimas. É o grito da alma oprimida por situações que estão
acima de quaisquer possibilidades de solução. É o desespero humano clamando para que todos
ouçam e saibam da sua dependência absoluta daquele a quem ora.
Às vezes orar é se fazer ouvir, em gestos e palavras. Numa encenação cujo objetivo é ensinar e
fazer com que os ouvintes compreendam que a glória é de Deus e que a resposta não é fruto do
acaso, coincidência e nem manipulação mágica, mas ação direta de Deus às nossas necessidades,
como o fez Jesus quando orou pela restauração de Lázaro.
Às vezes orar é se assemelhar à Ana: derramar o coração por meio de palavras – inaudíveis, mas
que adentram a sala do grande trono branco. Quem nos vê percebe a grande aflição, mas jamais
compreenderá completamente o que fazemos.
Às vezes orar é se “trancar” no quarto secreto e à semelhança da Sunamita, nada declarar a qualquer
pessoa, senão única e exclusivamente àquele que pode efetivamente mudar a situação ou mudar o
nosso próprio coração para enfrentar a dor mais cruel sem perder a doçura e a esperança.
Às vezes orar é somente descansar “à sombra do Onipotente”. Isso faz lembrar de um diálogo:
– O que a senhora fala para Deus quando ora?
– Nada, eu só escuto.
– E o que Deus fala para a senhora?
– Nada, Ele só escuta.
A beleza de orar não está quando a resposta vem. O extraordinário da oração ocorre enquanto se
ora, quando se depõe todas as armas, quando se embainha a espada e quando se rende ao Senhor,
Aquele que ama, Aquele a quem todas as coisas e pessoas estão submissas, Aquele que envolto em
mistério habita os céus, mas que ao mesmo tempo é o “Pai nosso”. E que não precisa de palavras,
pois antes que as pronunciemos já sabe o que precisamos.
Senhor, que haja PAZ, a começar por mim ...
Roberto Amorim
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